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Movimento Roessler

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O Movimento Roessler, além da criatividade, muita teimosia, poucos recursos financeiros, muitíssima insistência, paciência e vontade, sempre se serviu da arte e artistas amigos, colaboradores, para ecoar e potencializar nossa mensagem junto à população e órgãos públicos.

Em 1987 o Grupo Valão, composto pelos artistas plásticos Ariadne Decker, Flávio Scholles (in memorian), Mai Bavoso e Rogério Rauber, fizeram uma “performance” chamada Cabeças de Cepa, que era uma crítica e um olhar sensível ao nosso sistema produtivo de calçado, que enriqueceu nossa região e ainda assim podia ser uma ameaça ao meio ambiente (se não regulado) e opressivo aos seus trabalhadores com carga horária insalubre e demais análises. Esta primeira mostra ocorreu na exposição de arte de Mai, na Galeria Contemporânea. Em 1988 foi levada ao 44o Salão Paranaense de Artes Plásticas, assim como à Festa Popular e Cultural “Festerê Uma Vez!”, na Praça XX-NH. Esta, com presença do grupo teatral: Trupe Teatral Sul Tri Azul, que performavam cabeças de cepas enormes com martelinho batendo insistentemente em formas de calçado.

Tivemos outro momento importantíssimo, ainda em 1987, quando tivemos uma previsão terrível da morte do nosso Rio dos Sinos em poucos anos, por nossos cientistas. O Grupo Valão e o Movimento Roessler foram autorizados a pintar o muro da Instituição Evangélica, no Calçadão. Oportunidade que não perdemos em retratar o Rio dos Sinos como ele de fato se encontrava: Pintamos o caos, a poluição e o descuido, pois queríamos alertar as pessoas do risco que corríamos. A conclusão da obra foi uma grande polêmica na cidade, onde um cronista querido através do Jornal NH, criticou bravamente a nossa leitura do rio, que poderia ser de acordo com ele, poética, bela e ideal. Esta polêmica toda só ajudou a ampliar o olhar pela causa, a comoção pública e gerou mais muros para que pudéssemos nos expressar e entre o “sim e o não” as pessoas apoiaram enormemente a despoluição do Rio dos Sinos. O Grupo Valão também interviu no debate ecológico da eleição para prefeito de 1988, “servindo a água do rio” aos candidatos. Foram eventos fundamentais para provocar a criação do Comitesinos e gerar outras ações em prol do rio.

Tivemos para as crianças o que a arte pode propor de mais divertido: o livro infantil “Peixim e o Rio dos Sinos”, de Rogério Rauber, escritor e ilustrador que circulou em todas as escolas do município com apoio do então secretário de Cultura, o professor Ernest Sarlet. Assim como a peça teatral de Bonecos “A Borboleta que queria morrer”, de Arno Kayser, dirigida, produzida e encenada pela atriz e grupo de Évora Sarmento. Sem contar que na música, a Banda Barata Oriental, Nando Dávila (com a linda Cururuai) e Mauro Kern deixaram sua linda contribuição no show pró Parcão, no beco da Fundação Scheffel, onde os apaixonados pela ideia do parque se reuniram na primavera de 1988. Momento muito importante para efetivação da conquista do Parque Henrique Roessler logo depois.

Exemplos estes que somaram, engajaram, educaram e, sobretudo, conversaram com a alma das pessoas que no fundo sabe da importância do cuidado a natureza que é a nossa casa, e somos nós!

Débora G. Sarmento
Artesã, ex-secretária executiva do Mov. Roessler nos anos 80, quando várias dessas ações se deram.