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Movimento Roessler

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A origem do Movimento Roessler

O Movimento Roessler surgiu em 16/06/1978. Nesse ano houve um grande acidente no Atlântico Sul com um navio que soltou no mar tonéis com produtos químicos. Esse acidente gerou uma grande mortandade de animais na praia do Hermenegildo, em Santa Vitória do Palmar. O governo militar quis ocultar os fatos atribuindo a mortandade a um fenômeno natural conhecido por maré vermelha. Uma explosão populacional de algas que liberam um produto tóxico na água. A AGAPAN liderou um abaixo-assinado pedindo a revelação da verdade pelas autoridades do Estado do RS. Um grupo de estudantes de ecologia, alunos do Professor Kurt Schmeling (um discípulo de Henrique Roessler) liderou a coleta de assinaturas em Novo Hamburgo. Esse esforço teve tanto sucesso que Magda Renner veio à cidade buscar os abaixo-assinados. Foi quando os estudantes expressaram a ideia de entrarem na AGAPAN. Magda sugeriu que eles criassem seu próprio grupo na cidade. Os alunos gostaram da ideia e recorreram ao Professor Schmeling, que juntou um grupo de amigos da cidade e com essa turma toda criaram o Movimento Roessler para Defesa Ambiental numa reunião na Fundação Evangélica numa sexta-feira à noite. O nome Movimento Roessler para Defesa Ambiental foi uma ideia de José Ferlauto (que também foi o nosso primeiro presidente). Ele era jornalista e tinha feito uma matéria sobre o grande pioneiro da luta ambiental gaúcha. Sua sugestão foi de resgatar o nome dessa figura que, mesmo no Vale do Sinos onde vivera e atuara, andava esquecido.  Esse gesto foi o primeiro movimento de resgate da memória de Roessler em todo o país que abriu caminho para seu reconhecimento em todo país. Sem isso seu nome corria risco de ser esquecido. Fato que sempre foi destacado por Milton Roessler, seu filho, que era muito grato por isso a nossa entidade. Assim começou a história de uma das mais importantes entidades ecológicas do Brasil. Arno KayserEcologista, escritor, engenheiro agrônomo.

E o que dá pra fazer?

Vivemos tempos de emergência climática. O que na década de 90 parecia uma profecia apocalíptica e há três anos parecia um alarmismo exagerado dos ambientalistas, hoje faz parte da nossa realidade e pode ser testemunhado e vivenciado com nossos próprios olhos, como foi o episódio das inundações de 2024 que atingiram o Rio Grande do Sul. As notícias são alarmantes: estamos cada vez mais próximos do ponto de não retorno, o planeta já ultrapassa aquecimento de 1.6ºC desde a era pré-industrial, as geleiras dos polos do planeta estão derretendo, vivenciamos ondas de calor e frio cada vez mais intensos e em meio a essa enxurrada de notícias, tomamos banhos curtos e separamos nosso lixo, com a sensação de impotência avassaladora, enquanto setores do agronegócio desmatam milhares de hectares de florestas nativas para monocultura e bilionários passeiam em seus jatinhos particulares, emitindo toneladas de gás carbônico na atmosfera por dia. Além da sensação de impotência, ocorre a sensação de amortecimento. Estamos caminhando para condições inóspitas para a vida humana na terra, mas ninguém parece se importar muito com isso. No entanto, apesar da sensação, talvez não estejamos tão sozinhos assim.  Conforme a quarta edição da pesquisa “Mudanças climáticas na percepção dos brasileiros”, realizada em 2025 pelo Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio, 93% dos brasileiros está pelo menos um pouco preocupado com o meio ambiente. 50% muito preocupados, 29% preocupados e 14% um pouco preocupados. 76% separam seu lixo para reciclagem. 63% já compartilhou informações ou notícias em defesa do meio ambiente. 45% votou em algum político pelas suas propostas para defesa do meio ambiente e 19% participou de alguma manifestação ou abaixo assinado sobre mudança climática. Analisando esses dados, me parece que não há uma falta de consciência ou preocupação em relação ao meio ambiente, mas falta saber como agir e onde agir. Foi inviável para a maioria das pessoas comparecer à COP 30 ou manifestar-se contra a privatização do Rio Tapajós no Pará, mas o que podemos fazer aqui e agora, no nosso local e território? Por mais que seja pequeno, separar seu lixo é importante. Evitar pequenos desmatamentos e o corte predatório de árvores, é importante. Uso consciente dos recursos, é importante. Cada um fazendo a sua pequena parte, o conjunto de ações se torna grande.  O mesmo em relação ao compartilhamento de notícias e informações sobre meio ambiente nas redes sociais. Expandir informações para diferentes bolhas e ampliar o assunto a ponto de ser impossível de ignorá-lo, é uma tarefa constante de quem se sente preocupado com as mudanças climáticas. Isso é importante, especialmente numa era de excesso de informações e distrações no mundo virtual. Mas se tudo isso ainda parece insuficiente para você, cabe considerar atuar em coletivo. Um movimento ambientalista ou uma pessoa sozinha, não são capazes de reverter as mudanças climáticas, mas são capazes de fazer mais aquilo que precisa ser feito. A sensação de impotência deixa de ser uma inquietação, para tornar-se ação coletiva. Atuar no Movimento Roessler para Defesa Ambiental, não me trouxe apenas pertencimento. Me trouxe informação, direcionamento, referências, possibilidades de atuação, amigos e um espaço seguro, onde pude colocar minha vontade de fazer mais em prática. Não podemos ser utópicos em acreditar que vamos sozinhos salvar o planeta. Mas estamos lutando pelo nosso rio, pelos nossos arroios, pela mata atlântica no nosso território, pelas agroflorestas, pela educação ambiental… E estar em coletivo é ver caminhos possíveis se apresentando, é fazer mais que a nossa parte, quando um problema torna-se muito maior do que nossas mentes podem projetar. Esse texto é um convite. Não porque precisamos de pessoas que atuem em prol do meio ambiente (na verdade precisamos, o mundo precisa, mas a ideia não é convencer ninguém), mas porque no Movimento Roessler, essas inquietações que já existem, podem se tornar ações.  E é disso que o mundo precisa. É isso que dá pra fazer.  Carlos Rasch, músico e ativista ecológico integrante do Movimento Roessler.

VerdeSinos e Movimento Roessler desenvolvem atividades socioambientais com guaranis da Aldeia Pindoty

Com encontros mensais da Roda de Conhecimento Ambiental, desde o início do projeto VerdeSinos etapa 5, em agosto passado, indígenas da Aldeia Pindoty, do município de Riozinho, desenvolvem ações socioambientais. Neste primeiro mês de 2026, os guaranis receberam lixeiras e orientações para a correta separação e destinação dos resíduos sólidos. Os encontros são participativos, com oficinas práticas e integração de saberes tradicionais e técnicos. Cada uma das cinco famílias recebeu lixeiras para separar lixo seco, orgânico, cinza do fogo, casca de ovo e bombonas para armazenamento do óleo de cozinha usado. Através do projeto VerdeSinos, realizado pelo Comitesinos e Movimento Roessler, em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, a comunidade já construiu uma composteira que colaborará com a produção de adubo para a horta a ser implementada. Neste encontro também foram definidas as mudas de árvores frutíferas que serão plantadas no pomar, conversado sobre a escolha dos equipamentos rurais, como ferramentas manuais e tratorito, que ajudarão na execução da agrofloresta e identificado o local para a horta de verduras e ervas. A reserva indígena conta com 24 hectares onde residem cinco famílias formadas por guaranis que vieram de Santa Catarina, em 2012, e se estabeleceram ali. Conforme o cacique Felipe Oscar Brizoela, é preciso compreender o momento histórico que se vive e saber equilibrar a realidade de uma aldeia urbana com a manutenção da cultura guarani, com a transmissão da cultura ancestral para seus descendentes. O líder também reforça a importância de valorizar o acesso às ferramentas, mudas e sementes, além de todo apoio do VerdeSinos, enquanto mantém a tradição e verbaliza esses ensinamentos na língua guarani para que todos prestem atenção. A bióloga Virgínia Koch, que atua há 26 anos com os indígenas daquele território, ressalta que os juruá – termo indígena para se referir ao homem branco – têm muito a aprender com os indígenas. “As aldeias urbanas são espaços riquíssimos para essas trocas de saberes e contribuição com o planeta, com cada um fazendo a sua parte”. Para Kely Boscato, coordenadora do VerdeSinos, as ações realizadas e as previstas evidenciam o papel do Projeto VerdeSinos: Cidades-Esponja como articulador de soluções baseadas na natureza. “Focamos na educação ambiental e na participação social, consolidando as condições técnicas, institucionais e territoriais para a construção de um mundo melhor”. A Aldeia Pindoty conta com uma escola guarani, uma casa de rezo, plantação de milho guarani – com grãos nas cores amarelo, preto, branco e azul, cultivo de erva-mate e criação de porcos e galinhas. Cátia Cylene