Movimento Roessler

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O futuro é ancestral

Apesar de este texto ter o título de um pequeno, e ao mesmo tempo, gigante livro de Ailton Krenak, começo por uma citação que é comumente atribuída a Albert Einstein: “Não sei como será a terceira guerra mundial, mas sei como será a quarta: com pedras e paus”. Não posso afirmar que essa frase tenha sido realmente dita por Einstein, mas, seja como for, quer dizer muita coisa, pois as descobertas do físico alemão abriram caminho para a criação de armas nucleares. E se qualquer nação que detenha tamanho poder bélico resolvesse usá-las, tal profecia sobre o fim do mundo se tornaria um grande vislumbre da realidade. Nós vivemos no planeta Terra, lar de muitas espécies, incluindo a espécie humana, aquela que está destruindo a própria casa. Nego Bispo dizia: “eu não sou humano”. Dizia que indígenas e quilombolas são alheios a esse conceito de humanidade, que tem como propósito acumular, explorar, ferir, matar e destruir. Para indígenas e quilombolas, a abundância está em proteger, cuidar, zelar, defender e compartilhar saberes e cuidados com a terra, que é de onde viemos e para onde voltaremos. Para Nego Bispo, a vida é composta por uma circularidade de começo, meio e começo! Nesse meio do caminho, a terra nos dá tudo. Mas Nego Bispo nos ensinou que “a terra dá e a terra quer”. Para que ela cuide de nós, precisamos cuidar dela. “A terra não nos pertence, nós é que pertencemos a terra”. Krenak nos diz que “o futuro é ancestral”. E se o futuro é ancestral, precisamos ouvir as “ideias para adiar o fim do mundo” daqueles que vieram antes de nós. Precisamos ser capazes de ouvir e reproduzir as histórias de quem luta pela soberania da terra há muito tempo, pois o pensador indígena nos ensina que se formos capazes de continuar contando histórias estaremos adiando o fim do mundo. Por isso, se o mundo se encaminha para um colapso socioambiental, precisamos ouvir quem há milênios segura “a queda do céu”, como nos diz Davi Kopenawa. O cuidado com a vida é uma herança passada, pelos povos originários, de geração em geração e a todos aqueles com quem dividimos o planeta. Os principais nomes do ambientalismo também escutaram essa lição e há muito tempo vêm construindo um legado de preservação inspirado na sabedoria ancestral. Há quase cinco décadas, o Movimento Roessler vem renovando seu compromisso de lutar pela maior causa de todas: a proteção e a defesa da vida, em todas as suas formas de ser. Para finalizar, de forma circular, como aprendemos com Nego Bispo, gostaria de parafrasear Einstein e dizer que: não sei como será o futuro do mundo, só sei que ele será ancestral. Einstein acreditava que se a humanidade gastasse seu último e mais poderoso recurso bélico voltaríamos para o início das civilizações. Mas nós, ambientalistas, protetores e guardiões da vida, indígenas e quilombolas, por outro lado, acreditamos que a solução para que não venhamos a exaurir nossos recursos naturais está na circularidade de seguir em frente com as ferramentas ensinadas por quem caminha em outro tempo, e nesse tempo nos ensina a olhar para trás. Referências: BISPO DOS SANTOS, Antônio. A terra dá, a terra quer. São Paulo: Ubu Editora / Piseagrama, 2023. KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2020. KRENAK, Ailton. Futuro ancestral. São Paulo: Companhia das Letras, 2022. KOPENAWA, Davi; ALBERT, Bruce. A queda do céu: Palavras de um xamã yanomami. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. Luana Rosa, Presidenta Movimento Roessler, Bióloga e Doutora em Desenvolvimento Rural

Manifestação dos Comitês de Gerenciamento das Bacias Hidrográficas sobre as enchentes

O Rio Grande do Sul passa, neste momento, pelo maior desastre ambiental de sua história. Enchentes devastadoras ocorrem após períodos de estiagem, revelando uma crise de gestão hídrica a ser enfrentada pelo Estado. É importante reconhecer que chegamos a este ponto devido à falta de aproveitamento e implementação plena do Sistema Estadual de Recursos Hídricos – SERH, criado em 1994 após mobilização popular. Tentativas de se propor outro arranjo institucional diferente do que o definido pelo SERH na Lei Estadual Nº 10.350/94 que estão circulando na mídia neste momento são um desrespeito aos mais de 30 anos de ativismo da sociedade gaúcha, governo e agentes econômicos para a valorização dos comitês de bacia e da própria legislação. O SERH foi concebido para proporcionar uma gestão integrada e eficiente dos recursos hídricos por meio dos Comitês de Bacia Hidrográfica, garantindo a participação democrática de todos os setores da sociedade, agentes econômicos e governo. No entanto, apesar de seu potencial, o sistema nunca foi plenamente implantado. A não implementação das agências de bacia e da cobrança pelo uso dos recursos hídricos, componentes fundamentais desse sistema, resultou em uma gestão fragmentada, desarticulada e ineficaz, incapaz de planejar e executar as ações necessárias para reduzir vulnerabilidades e, assim, mitigar os efeitos de eventos como o que enfrentamos. Os Comitês de Bacia Hidrográfica, com sua composição diversa e representativa, têm o potencial de harmonizar os interesses ambientais e econômicos, promovendo o desenvolvimento mais sustentável e a proteção dos recursos hídricos. No entanto, a falta de suporte institucional e financeiro dificulta o desempenho pleno das funções dos Comitês de Bacia Hidrográfica. A cobrança pelo uso da água não apenas financiaria parte das ações necessárias, como também incentivaria o uso racional por parte dos agentes econômicos, reduzindo a pressão sobre os recursos naturais. Os eventos extremos que vivenciamos são um alerta urgente para a necessidade de uma gestão hídrica eficiente e integrada. A implementação total do SERH é essencial para preparar o Estado para o enfrentamento dos desafios climáticos atuais e futuros. Precisamos de um planejamento com visão de Bacia Hidrográfica, capaz de entender a dinâmica dos impactos e tomar decisões que protejam toda a população, especialmente os mais vulneráveis. É fundamental que os grupos de trabalho municipais, estaduais e federais que venham a ser formados para a reconstrução das áreas afetadas contem com representantes dos Comitês de Bacia Hidrográfica, para que os trabalhos sigam a legislação e as atribuições destes comitês. Os comitês de bacia devem ser respeitados e considerados em seus papéis legais inclusive na constituição do Programa de Reconstrução, Adaptação e Resiliência Climática do Estado do Rio Grande do Sul. Na inexistência de uma Agência de Região Hidrográfica, os consórcios surgem como oportunidade essencial no processo de recuperação e até de implementação da cobrança pelo uso da água à luz dos planos de bacia e de suas necessárias atualizações frente à emergência climática. Apelamos às autoridades municipais, do Estado e da União, assim como à sociedade gaúcha e brasileira, para que reconheçam a importância de implementar todas as ferramentas previstas no Sistema Estadual de Recursos Hídricos. É imperativo apoiar os Comitês de Bacia Hidrográfica, garantindo os recursos e a estrutura necessária para que possam desempenhar seu papel de forma eficaz. Somente com uma gestão integrada e democrática dos recursos hídricos poderemos enfrentar os desafios climáticos e assegurar um futuro sustentável para o Rio Grande do Sul. Viviane Feijó Machado – Presidente do Comitê Sinos Rafael Altenhofen – Presidente do Comitê Caí Sérgio Cardoso – Presidente do Comitê Gravatahy

Reflexões sobre a enchente de 2024

A enchente de 2024 é, de longe, a pior da história da presença civilizada no Rio Grande do Sul. Entre Abril e Maio choveu cerca de mil milímetros de chuva. Mais da metade do esperado para um ano inteiro. É bem provável que ela vai passar a ser o parâmetro tomando o lugar da grande enchente de 41 no imaginário popular. As águas invadiram áreas baixas de diversos locais do Vale do Sinos e outras regiões do Estado. Na região metropolitana se romperam diques e em Porto Alegre o sucateado sistema de proteção das cheias falhou completamente e grande parte da capital ficou debaixo de água. Um detalhe tem que ser lembrado. Os diques do Vale do Sinos foram locados bem perto do rio e deixaram uma parte do banhado do lado “seco” que acabou atraindo o povo sem outra opção de moradia para lá. Uma verdadeira armadilha. Isso para deixar áreas realmente altas para ocupação por gente em melhor situação econômica. Curiosamente o que também ocorreu em 1824 quando o império queria fazer a colônia onde hoje é o parque da Floresta Imperial em Novo Hamburgo, mas o dono da terra junto ao passo de São Leopoldo (terras doadas pela Coroa, por sinal) convenceu o representante local da colonização a comprar sua terra e assentar povo na beira dos banhados do Sinos. Essa área roubada ao banhado poderia estar ajudando a segurar o nível da enchente mais tempo e não seria uma área de risco humano se tivesse ficado como reserva natural a exemplo do parque da imperatriz em São Leopoldo ou o banhado da estrada da integração em Novo Hamburgo.  Tivessem respeitado os banhados e talvez o centro de São Leopoldo hoje ficasse em Novo Hamburgo. O mesmo caso ocorre em Canoas, Esteio e Sapucaia onde as partes mais atingidas são os assentamentos humanos localizados em antigos banhados e várzeas. São detalhes que afetam muitas vidas e mostram como é importante que decisões importantes sejam tomadas com muito debate popular e com apoio da ciência. Os diques foram erguidos nos anos da ditadura militar e São Leopoldo foi iniciado no império. Democracia era algo que não existia nesses dois momentos históricos. O Comitesinos propôs um mapeamento das áreas de risco de todo o vale e tentou orientar os municípios, pelo menos a não deixar ocupar com mais urbanização essas regiões. Quem mais resistiu foi a gestão pública de Canoas e algumas das suas entidades empresariais. Curiosamente foi a cidade com mais gente fora de casa e que defendia que a Rodovia do Parque (BR-448) fosse construída como um grande dique para poder se expandir no sentido do rio. Se isso tivesse ocorrido certamente os danos da enchente seriam maiores ainda. Hoje pagamos um preço terrível por erros do passado no processo de ocupação do território. Outra coisa que fica evidente é que um dos problemas do RS é que estão exterminando os órgãos técnicos científicos onde trabalha a inteligência do Estado que é capaz de gerar as soluções. É triste, mas é verdade. A cultura de serviço público vai se perdendo e chega num ponto que ficamos sem rumo. No meu setor junto à Fepam se aposentaram três das cinco pessoas que tinham quando entrei. Houve uma reposição em 10 anos. Faz quatro anos que esperamos substituição dos outros dois. Em breve os mais velhos se aposentam não vai ter ninguém para ensinar transmitir a experiência que o setor acumulou para quem chegar. A Metroplan, que trabalha com o tema da proteção de inundações, perdeu muito pessoal.  A Fundação Zoobotânica que estudava a nossa biodiversidade foi extinta. Nada contra a iniciativa privada trabalhar para o Estado. Muitas vezes é necessária. Mas o serviço público é essencial para conduzir a gestão. É assim em todos os países desenvolvidos. Sem serviço público de qualidade um país fica como os países pobres da África. Um verdadeiro salve se quem puder em meio a um caos de lutas internas entre grupos rivais, como já ocorre em alguns locais de nossos grandes centros. Outro fato a ser analisado nesse contexto é que o voluntariado tem limite. Ainda que sua contribuição seja um exemplo magnífico da solidariedade humana o fato é uns dias depois de a tragédia deixar de ser pauta da grande mídia a maioria dos voluntários volta para casa até porque não são profissionais e tem que cuidar de suas vidas. Quem vai seguir é o serviço público. É assim sempre. Só que não se falam disso em muitos veículos de imprensa. Especialmente os aliados com a ideia do estado mínimo que ajudou muito a levar o RS a esse estado de calamidade. O país hoje está cheio de jovens bem preparados. Muitos que gostariam de trabalhar no serviço público. Em vinte anos como servidor público trabalhei com pelo menos quarenta estagiários.  Muitos nos procuraram porque queriam se tornar servidores públicos. Alguns até passaram em concurso e trabalham no setor público. O jovem que entrou no meu setor foi meu estagiário. Mas tem muitos que não recebem oportunidade. Alguns até vão embora do Brasil. Desperdiçando a sua qualificação, pois lá vão ser trabalhadores de serviços para gente com pouca formação. Também irrita um pouco a política de algumas empresas privadas de previsões meteorológicas especializadas em fazer manchetes catastrofistas para atrair leitores para suas páginas na internet recheadas de anunciantes. Quando muitas das suas previsões trágicas não ocorrem ficam quietos como as videntes que todo novo ano as revistas de fofocas entrevistam para prever o que virá. Cientificamente são capacitadas, mas não nos parece correto que lucrem atemorizando as pessoas e faturando em cima da espetacularização da desgraça (como, aliás, também o fazem muitos veículos de mídias para aumentar a audiência de seus programas).  Os serviços de alerta de risco devem ser ponderados e objetivos em suas manifestações. Dar a informação precisa é fundamental para que os alertas sejam levados a sério pela população. Abusar do sensacionalismo só atrasa a formação de uma cultura de prevenção. Também vemos nessas horas que muitos

É urgente implementar as cidades-esponjas

Já passou demais da hora a implementação das cidades-esponjas em todo território gaúcho. Precisamos urgentemente transformar nossas cidades em esponjas – em sistemas capazes de absorver, armazenar e filtrar a água da chuva, reduzindo o impacto de alagamentos e aumentando a disponibilidade de água em período de escassez hídrica. O foco é empenhar todos esforços nessa reconstrução e tentar evitar novas catástrofes como essa que estamos sofrendo. É preciso correr atrás do que ainda não foi destruído e nos agarrar com unhas e dentes e raízes de agroflorestas para impedir o fim total do que resta do nosso bioma Pampa. O cavalo no telhado é nosso símbolo de força e resistência gaúcha. Mas será mesmo que precisávamos provar isso com tanto sofrimento? Com tanto descaso aos avisos de ambientalistas? Com tantas vidas perdidas? As projeções de câmbio climático já apontavam para chuvas aqui no sul, cada vez mais intensas e em períodos mais concentrados com grandes enchentes, seguidas de estiagens. Isso já é real e não pode mais ser negado. Sabemos que tudo é político, que toda decisão tem lado e quando o governador Eduardo Leite optou por cortar e alterar quase 500 pontos do Código Ambiental do RS, que já foi exemplo em outros tempos, a escolha não foi pela manutenção dos seres vivos, muito menos pela defesa do Pampa, mas sim pelo lucro acima de tudo e todos. A luta pelas vidas continua, saúde física e psicológica são prioridades agora. A verdadeira revolução é essa, a de ser “gauche” na vida. Vamos lá povo gaúcho, da lama ao caos, vamos cevar um mate muito amargo ainda. Que a gente consiga fortalecer ainda mais essa importante teia de apoio ao sul. Em nosso município compomos a Rede de Solidariedade de Novo Hamburgo que já preparou e entregou mais de 4.700 marmitas e 300 kits de sobrevivência para pessoas atingidas no Vale do Sinos. Participe e contribua como puder >> Acesse a Rede de Solidariedade NH Cátia CyleneMovimento Roessler para Defesa Ambiental

Uma reflexão sobre sapos, ecologia e política

Uma reflexão sobre sapos, ecologia e política Reza a lenda que, se um anuro fosse colocado em uma panela com água quente, ele saltaria para fora imediatamente; porém se a água estivesse fria, e fosse aquecida aos poucos, o pobre batráquio seria cozido vivo sem coaxar. Entretanto, é provável que, se tal crueldade fosse experimentada com muitos sapos, alguns ainda perceberiam que algo de errado estava a acontecer e tentariam pular para fora da panela a tempo de se salvar. As pessoas que compreendem a gravidade do acelerado processo de degradação ambiental do planeta pelo impacto da civilização humana tendem a agir como esses sapos mais espertos, porém logo se dão conta de que não há para onde saltar, sendo necessário interromper e reverter o processo. Para isso, se organizam em entidades que têm por objetivo lutar pela conservação do meio ambiente, a exemplo do Movimento Roessler. Dessa forma muito se conquistou nas últimas décadas. Porém a situação ambiental atual do planeta, quase no limiar da terceira década do século XXI, parece desanimadora e, sob certos aspectos, catastrófica. Evidências há: abundantes, preocupantes e irrefutáveis – exceto para os obscurantistas que negam a ciência – sabe-se lá movidos por que ânimo, recalque, ou recompensa. São como aqueles sapos menos espertos, que não percebem, ou não ligam para o seu destino. Parte considerável das mazelas ambientais pode e deve ser creditada aos grandes responsáveis: políticos de visão tacanha, egoísta, preconceituosa e imediatista que se aproveitando das fraturas sociais, a cada dia mais expostas, conseguem chegar ao poder para então traírem a confiança dos eleitores de boa-fé, ferindo a democracia que lhes concedeu mandatos ao adotar uma assustadora agenda de desmonte de quase tudo aquilo que se havia conquistado até então pelo trabalho de várias gerações de abnegados conservacionistas. Como consequência dessa ação nefasta, uma sucessão infindável de desastres ambientais vem causando sobressalto aos que compreendem a gravidade da situação. Sem muito otimismo se espera que os remédios da democracia permitam reverter esse quadro com a brevidade possível, embora tendo em mente que a recuperação dos danos gravíssimos causados à natureza e provocados por tanta infâmia poderá demandar mais tempo do que a nossa própria expectativa de vida. Não resta dúvida: é necessário e urgente que, de uma vez por todas, a agenda ambiental ocupe lugar nos executivos e legislativos. As principais preocupações dos políticos e dos eleitores costumam ser meramente conjunturais e circunstanciais, enquanto a conservação do meio ambiente é pressuposto básico para a continuidade de todas as formas de vida, das quais depende a vida humana. Assim sendo, entende-se imprescindível atuar na política de forma cada vez mais incisiva em nome da conservação ambiental: ou pela construção de candidaturas para buscar mandatos coletivos que sejam comprometidos com a causa ecológica, ou pela exigência de posicionamentos mais claros dos candidatos em relação às pautas ambientais decisivas, ou por uma forte cobrança de coerência daqueles que forem eleitos, denunciando-se os desonestos e traidores, à sociedade e à Justiça, para que venham a ser punidos pela aplicação da Lei, ou através do voto – exatamente aquilo que se espera em relação aos criminosos ambientais de hoje. Enquanto isso, sejamos sapos espertos para que os nossos girinos e os girinos deles possam vir a nadar em água fresca! Gerson Rolim Guidobono NOS ACOMPANHENAS REDES SOCIAIS Facebook Instagram Youtube ÚLTIMAS NOTÍCIAS Uma reflexão sobre sapos, ecologia e política Read More Tá ruim, mas tá bom Read More Movimento Roessler aciona MP sobre o arboricídio no Parcão Read More 45 anos resumidos numa estampa Read More PrevAnteriorDireitos da Natureza PróximoMovimento Roessler aciona MP sobre o arboricídio no ParcãoNext Compartilhe

Tá ruim, mas tá bom

Tá ruim, mas tá bom É muito preocupante esta condição de “tanto faz” que estamos vivendo há um tempo. Estamos nos acostumando a aceitar com apatia a usurpação de direitos e um arrocho geral das coisas que eu não lembro de ter vivido (talvez no tempo do Império fosse pior, apesar as novelas tentarem fazer-nos acreditar que não). Parece haver uma anulação progressiva das vozes de pessoas e de organizações da sociedade dedicadas ao coletivo. Ainda que muitas destas organizações tenham participação em conselhos e lhes seja permitida a manifestação de opinião, parece tudo montado para que estas participações tenham apenas o propósito de legitimar decisões prontas. Votação em regime de urgência, votação simbólica, baciada e abertura de porteira para a boiada. Um novo tipo de colonização, uma colonização interna (parafraseando Ailton Krenak), em que a minoria cada vez mais empoderada abocanha bens e serviços da maioria cada vez mais cordata e pobre. Foi assim com as fundações públicas do RS (FEPPS, FEE, FZB, TVE) e agora se pretende com a CORSAN. Para aqueles que acham que extinguir órgãos públicos é uma boa para a economia, valeria uma pesquisa para saber quanto o Estado está gastando para suprir aquelas demandas antes supridas pelas Fundações. Com cada vez mais gente morando em cidades, o tratamento e distribuição da água passam a ter uma importância cada vez maior. Pode se transformar num ótimo negócio. E isto não passa despercebido pelo faro do capital. Depois de mais de 50 anos investindo em infraestrutura e equipamentos, e com uma história recente de superávit, a CORSAN agora está madura para passar às mãos do capital privado. Se é tão complicado e oneroso prover água tratada e fazer o tratamento do esgoto, como querem fazer acreditar aqueles que estão com a caneta na mão, por que o capital privado se interessaria tanto? Por altruísmo? No caso da CORSAN chegamos a um ponto visceral da dominação do capital privado sobre o público. Digo visceral porque a água é tão importante para nós que a trazemos conosco. Estamos nos colocando por inteiro nas mãos dos invisíveis. Se não por inteiro, pelo menos 60%, que o é nosso peso em água. Julian MauhsBiólogo NOS ACOMPANHENAS REDES SOCIAIS Facebook Instagram Youtube ÚLTIMAS NOTÍCIAS Tá ruim, mas tá bom Read More Movimento Roessler aciona MP sobre o arboricídio no Parcão Read More 45 anos resumidos numa estampa Read More Direitos da Natureza Read More PrevAnteriorComitesinos institui GT para definir mecanismo e preço pelo uso da água Próximo45 anos resumidos numa estampaNext Compartilhe

Sobre acolhimento e amor

Sobre acolhimento e amor Há controvérsias sobre acolher e tratar filhotes que caem dos ninhos, o que acontece muito na primavera. Deixar a natureza agir, ou interferir? Colocando-me no lugar deles, eu resgato. Pensa na cena: tu, um bebê chorando desprotegido e se ninguém te socorrer?… Aprendi com a minha mãe e perdi a conta dos salvamentos que fizemos juntas; continuo com essa tarefa enriquecedora e nesse momento tem um sanhaçu azul cinzento dormindo dentro de casa, o Jambu. Para quem não sabe, hoje está bem mais fácil essa incumbência. Além da clássica seringa bem fina (sem agulha, óbvio, rsrsrs), tem alimentos completos nas pecuárias, inclusive minhocas desidratadas e há os comedores de frutas. Uma questão de pesquisar a espécie resgatada e o tempo de iniciar cada tipo de alimento. Inicia numa caixa com poleiros e se não tiver um local na casa, logo que começa a voar deverá ficar numa gaiola temporária, com água. Aliás, eles adoram banho! Borrifar uma vez por dia, assim que tiverem bem empenados. O Jambu “pede” e borrifo todo dia. Continua tratando com seringa até aprender a comer sozinho e a soltura só deverá ocorrer quando souber voar e comer totalmente sem a seringa. Nos primeiros dias após a soltura, o ideal é deixar a gaiola aberta, os alimentos e água disponíveis fora da mesma, até que aprenda a procurar por conta própria. Isso só os pais legítimos ensinam. A dedicação te faz amar muito esses pequenos seres e o observar diariamente é surpreendente!! A inteligência inata e o instinto de sobrevivência chegam a ser comoventes quando acompanhamos tão de perto. Como diz minha amiga Helena Oliveira, “é como se tivessem conversando com a gente e mais do que em tempos atrás, hoje, essa comunicação está mais afinada”. Ela diz ainda e concordo: “certamente nós estamos menos arrogantes”. Afinal, nós aprendemos com eles e não me sinto tão inteligente quanto, pois não sigo metade dos instintos naturais. Se agíssemos de acordo com as leis da natureza, certamente o mundo estaria em equilíbrio. Silvana Santos Ilustradora, companheira do Cláudio, mãe de bichos, cozinheira, participante do Movimento Roessler e buscadora de harmonia. NOS ACOMPANHENAS REDES SOCIAIS Facebook Instagram Youtube ÚLTIMAS NOTÍCIAS Sobre acolhimento e amor Read More Movimento Roessler aciona MP sobre o arboricídio no Parcão Read More 45 anos resumidos numa estampa Read More Direitos da Natureza Read More PrevAnteriorComitesinos institui GT para definir mecanismo e preço pelo uso da água Próximo45 anos resumidos numa estampaNext Compartilhe

O cronista ambiental do Rio Grande do Sul

O cronista ambiental do Rio Grande do Sul Há 50 anos, em 14/11/1963, calou-se a pena de um dos mais importantes cronistas ambientais que o Brasil já teve, Henrique Luiz Roessler. Nas páginas do Correio do Povo Rural, às sextas-feiras, publicou cerca de 300 crônicas, entre 1957 e 1963. Não tinha diploma universitário, mas seus textos eram dignos de jornalista experiente: usando e abusando de uma fina ironia, atingiam em cheio seus leitores. Roessler nasceu em Porto Alegre em 16/11/1896, mas passou a maior parte da vida em São Leopoldo, onde ocupou os cargos de Capataz do Rio dos Sinos, Delegado Florestal e Fiscal de Caça e Pesca. Essas funções demandavam vistorias pelo Sinos e diligências em todo o RS; com as viagens, conheceu a realidade do Estado e ficou chocado com a destruição que encontrou já nos anos 1930. Em 1955, Roessler criou a primeira entidade ambientalista do RS, a União Protetora da Natureza (UPN). Em suas crônicas, Roessler denunciava a degradação do ambiente e oferecia soluções, relatava as atividades da UPN e conclamava os leitores à ação. Os temas mais frequentes de seus textos eram a poluição das águas, a questão florestal, a caça (especialmente de passarinhos), os direitos dos animais, a educação para a proteção ambiental, o questionamento da noção de progresso, a vida nas grandes cidades e a alienação humana perante a natureza. Para se ter uma ideia da atualidade das ideias de Roessler, nas páginas do Correio ele denunciava o desrespeito ao Código Florestal e a impunidade aos contraventores, lamentando que as leis não eram aplicadas “com a necessária rigidez”; apontava medidas de tratamento de esgotos que, se cumpridas pelas indústrias, acabariam com as mortandades de peixes nos rios; manifestou-se contra a vivissecção e a utilização de animais como cobaias nas pesquisas científicas; condenou o uso de pesticidas, antes mesmo de Rachel Carson. Em várias oportunidades, criticou a forma como o progresso era concebido pelo Ocidente: distante da natureza, a vida se tornava “mais neutra, técnica, fria, autômata, anônima e interesseira”. Hoje, em que presenciamos a agonia dos rios e oceanos em todo o planeta, a queimada histórica de nossas florestas e a tragédia de inúmeras espécies ameaçadas, as palavras de Roessler ainda fazem sentido. Se fosse vivo, ele estaria lutando por leis mais rigorosas e escrevendo textos críticos e mobilizadores sobre as temáticas atuais. Continuaria mostrando que a proteção da natureza é vital para o futuro de todas as espécies, inclusive a nossa. Por Elenita Malta Pereira Historiadora e biógrafa de Roessler Artigo publicado no jornal Correio do Povo, em 14-11-2013, p. 2 Henrique Roessler posando com armas recolhidas NOS ACOMPANHENAS REDES SOCIAIS Facebook Instagram Youtube ÚLTIMAS NOTÍCIAS O cronista ambiental do Rio Grande do Sul Read More Uma reflexão sobre sapos, ecologia e política Read More Tá ruim, mas tá bom Read More Movimento Roessler aciona MP sobre o arboricídio no Parcão Read More PrevAnterior45 anos resumidos numa estampa Compartilhe