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Mina Guaíba ainda pode representar uma ameaça para a população

Mina Guaíba ainda pode representar uma ameaça para a população Mesmo com a conquista do arquivamento do processo de licenciamento da Mina Guaíba, obtido graças a mobilização da sociedade civil em torno dos evidentes danos socioambientais causados, infelizmente permanece a ameaça deste projeto que representa o lado mais nocivo do capitalismo. Isso ocorre porque o próprio Governo do Estado, que deveria fiscalizar de modo rigoroso intervenções como essa, por meio da Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luis Roessler (Fepam), atua para reverter esse processo. O projeto original da mina previa a ocupação de uma área de em torno de 5 mil hectares – o equivalente a 5 mil campos de futebol – entre os municípios de Eldorado do Sul e Charqueadas (cerca de 16km de Porto Alegre). Após uma luta incessante de moradoras e moradores da região, ambientalistas, pesquisadoras e pesquisadores, comunidades indígenas e movimentos sociais, a proposta foi arquivada pela Fepam no mês passado. Entretanto, diante das últimas informações, é importante permanecer de olhos abertos. Em recente entrevista ao Jornal do Comércio, a então presidente da Fepam, Marjorie Kauffmann, agora atual Secretária Estadual de Meio Ambiente e Infraestrutura, afirmou claramente que a empresa responsável, a Copelmi, pode solicitar o desarquivamento do processo. O que chama a atenção é que Marjorie ressaltou que isso seria possível se forem encaminhados novamente os Estudos de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) para a liberação da área. Ou seja, bastaria à empresa encaminhar um novo estudo para a Fepam, para que a mina tivesse a possibilidade de entrar em operação. O que não foi comentado por Marjorie na ocasião é que um novo EIA/RIMA não mudaria o que já está posto: os irreparáveis prejuízos ao meio ambiente e às comunidades situadas na região. Isso porque são pelo menos 160 lacunas não respondidas pelo EIA/RIMA que embargou o projeto. Assim, a não ser que os parâmetros de análise sejam modificados para favorecer a empresa, não existe possibilidade de invalidar os dados técnicos que mostram a evidente deterioração do meio ambiente gerada com a instalação da mina. Luana Rosa, bióloga e Marcelo Passarella, jornalista NOS ACOMPANHENAS REDES SOCIAIS Facebook Instagram Youtube ÚLTIMAS NOTÍCIAS Mina Guaíba ainda pode representar uma ameaça para a população Read More Movimento Roessler aciona MP sobre o arboricídio no Parcão Read More 45 anos resumidos numa estampa Read More Direitos da Natureza Read More PrevAnteriorComitesinos institui GT para definir mecanismo e preço pelo uso da água Próximo45 anos resumidos numa estampaNext Compartilhe

Carijada na Lomba Grande revive ritual indígena para produzir erva-mate

Depois de 17 horas de secagem a erva-mate já estava sendo degustada ali mesmo, na fonte, direto do carijo. A lenha atribui um sabor peculiar, a erva fica um pouco defumada, mais sapecada pelo processo artesanal e isso é bem marcante, principalmente para aqueles que vivenciam o processo todo. O ritual consiste em construir o carijo, fazer a poda, o fogo, o sapeco, a ronda durante toda a madrugada de secagem da planta, o cancheamento – ou fragmentação dos galhos, o soque – ou moagem e, por fim, a degustação do mate. Cerca de 50 pessoas oriundas de São Leopoldo, Novo Hamburgo, Campo Bom, Sapiranga, Rolante, Antônio Prado, Muitos Capões, Panambi e da capital gaúcha participaram da carijada na Lomba Grande durante o final de semana. Dentre elas, estudantes de agronomia da UFRGS e produtores agroecológicos e agroflorestais motivados em conhecer a prática do carijo. A vivência coletiva e acampamento ocorreram no Quilombo, no organismo agrícola do Erno Bühler, na zona rural de Novo Hamburgo, bairro Lomba Grande. Sábado teve atividades de reconhecimento da planta e aprendizagem sobre todo o processo. Noite de cuidado com o fogo e a erva que ficou secando na estrutura do carijo. Durante a ronda noturna teve uma roda cultural com apresentação do músico Zé Martins, do grupo Unamérica. No domingo os participantes carregaram o carijo com a erva até o outro lado do campo de futebol onde estava a máquina de soque. “Foi uma aventura. Nunca tinha visto um carijo itinerante”, comentou Gustavo Türck, integrante do Coletivo Catarse – responsável pelo projeto Carijo que culminou com a produção do “Carijo, o filme”, além de livro, cartilha e diversos eventos para a multiplicação destas culturas indígenas mbyá-guarani e kaingang. O biólogo Moisés da Luz, que veio de Panambi para repassar seus saberes na arte do carijo, vem fazendo retomadas desta cultura indígena desde 2005 e formando multiplicadores no processo de fabricação artesanal de erva-mate (Ilex paraguariensis). Para sua dissertação de mestrado “Carijos e Barbaquás no Rio Grande do Sul: resistência camponesa e conservação ambiental no âmbito da fabricação artesanal de erva-mate”, pesquisou24 experiências no RS de carijos, barbacuás e assemelhados. “A retomada dos carijos proporciona a autonomia de produzir a própria erva para o chimarrão, com sabor original e novos e ancestrais sentidos em nossa vida”, comenta. “A vivência em si acaba sendo uma mística, as pessoas dormem no local, a tradição é iniciar a secagem no final da tarde, momento de celebração, adentrar a noite madrugada adentro, com outras sensações e percepções, observar a lua e as estrelas. Outra potência que o carijo possibilita é este contato com o fogo, a fumaça e a comunhão em torno da bebida,” salienta o mestre. “Essa experiência que tivemos juntos foi mágica, foi revigorante, muito especial. Quando sai do acampamento, me senti um alienígena em nosso próprio planeta, senti que meu mundo era outro”, disse o produtor Fábio Junges. A carijada no Vale do Sinos foi promovida pelo Araçá – Grupo de Consumo Responsável, com parceria de Agrofloresta Garupá, Produtos Biocêntricos e Circular Alimentos e apoio do Coletivo Catarse, do organismo agrícola da Família Bühler e do Banco de Tempo Lomba Grande. A erva-mate processada neste carijo foi colhida na sexta-feira por três produtores. Susi Grings em Dois Irmãos; Mozar Dietrisch em Santa Maria do Herval e Fábio Dias em Sapiranga. A origem do chimarrão A erva-mate é uma árvore que habita o Brasil, Argentina, e Paraguai. O seu habitat nativo são as florestas, tais como a Floresta com Araucária (que contém o pinheiro-brasileiro) e a Floresta Estacional, que acompanha os rios Paraguai, Paraná, Uruguai e seus afluentes. A origem do uso da erva-mate se deve aos povos indígenas dessa região, entre eles os Guarani e os Kaingang. A palavra mate tem origem quéchua, a qual os espanhóis pegaram emprestado para denominar o recipiente (cuia), o conjunto do chimarrão ou a própria bebida. Já o termo chimarrão provém do termo espanhol cimarón, que quer dizer selvagem, amargo, sem dono, bravo. Cátia CyleneJornalista

Líder da produção de arroz orgânico da América Latina,MST comemora 19ª Festa da Colheita do Arroz Agroecológico

Líder da produção de arroz orgânico da América Latina, MST comemora 19ª Festa da Colheita do Arroz Agroecológico Famílias assentadas do Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra (MST) comemoram nesta sexta-feira (18), a 19ª Festa da Colheita do Arroz Agroecológico. Em todo o Rio Grande do Sul, a produção do alimento é feita por 296 famílias, em 14 assentamentos, que se dividem em 11 municípios gaúchos. A estimativa é que sejam colhidas mais de 15 mil toneladas de arroz. O evento ocorre na sede da Cooperativa de Produção Agropecuária Nova Santa Rita (Coopan), em Nova Santa Rita, na região Metropolitana de Porto Alegre. A comemoração conta com Feira da Reforma Agrária, com representação de cooperativas do MST de outros estados; apresentação cultural do Grupo Unamérica e participação de entidades parceiras, populares, sindicais e políticas.  De acordo com Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), o MST é considerado o maior produtor de arroz orgânico da América Latina e segue nessa posição há mais de 10 anos. Segundo Martielo Webery, do setor de comercialização da Cootap, as famílias camponesas estimam colher, na safra 2021/2022, mais de 15 mil toneladas, cerca de 310 mil sacas de 50 kg do produto, em aproximadamente 3.196,23 hectares. “Para nós do MST, essa edição da Colheita do Arroz Agroecológico tem uma enorme  importância. Queremos celebrar esse momento com a sociedade gaúcha e brasileira, pois essa é uma construção coletiva das cooperativas e das famílias assentadas. A nossa produção orgânica é uma alternativa, onde a vida das pessoas e o cuidado com a natureza estão acima do lucro”, pontua Marildo Mulinari, do setor social organizativo da Cooperativa dos Trabalhadores Assentados da Região de Porto Alegre (Cootap). A reconhecida produção gaúcha do arroz agroecológico do MST é coordenada por nove cooperativas conquistadas por meio da luta do movimento pela Reforma Agrária Popular e produção de alimentos saudáveis, livres de veneno. O cultivo principal é de arroz orgânico nas variedades agulhinha e cateto. Em todo o estado, a produção do alimento é feita por 296 famílias, em 14 assentamentos, que se dividem em 11 municípios gaúchos das regiões Metropolitana, Sul, Centro Sul e Fronteira Oeste. Campesinos realizam ato simbólico de colheita de arroz NOS ACOMPANHENAS REDES SOCIAIS Facebook Instagram Youtube ÚLTIMAS NOTÍCIAS Líder da produção de arroz orgânico da América Latina,MST comemora 19ª Festa da Colheita do Arroz Agroecológico Read More Movimento Roessler aciona MP sobre o arboricídio no Parcão Read More 45 anos resumidos numa estampa Read More Direitos da Natureza Read More PrevAnteriorComitesinos institui GT para definir mecanismo e preço pelo uso da água Próximo45 anos resumidos numa estampaNext Compartilhe

Comitesinos dá seguimento ao VerdeSinos etapa 4

Comitesinos dá seguimento ao VerdeSinos etapa 4 O Comitesinos está em processo de renovação do plenário. Após atender às resoluções 230/237 do Conselho de Recursos Hídricos do Estado, que regulamentam a descrição e a distribuição de vagas na composição dos comitês de gerenciamento de bacia gaúchos, o Comitesinos dá sequência ao seu processo de renovação de entidades-membro e diretoria para o biênio 2022-2024. Mensalmente os parceiros do Projeto VerdeSinos se reúnem para discussão, planejamento, troca, qualificação, capacitação dos técnicos e para manutenção das atividades em rede — o grande diferencial dessa iniciativa permanente que já dura mais de 15 anos e que trouxe resultados concretos para a sustentabilidade econômica, social e ambiental da bacia hidrográfica do Rio dos Sinos, sempre com foco na água.’ Na foto, nova placa de identificação do Verdesinos instalada numa das Unidades de Referência integrante da 4ª etapa do projeto – Centro de Educação Ambiental Ernest Sarlet, de Novo Hamburgo. NOS ACOMPANHENAS REDES SOCIAIS Facebook Instagram Youtube ÚLTIMAS NOTÍCIAS Comitesinos dá seguimento ao VerdeSinos etapa 4 Read More Movimento Roessler aciona MP sobre o arboricídio no Parcão Read More 45 anos resumidos numa estampa Read More Direitos da Natureza Read More PrevAnteriorComitesinos institui GT para definir mecanismo e preço pelo uso da água Próximo45 anos resumidos numa estampaNext Compartilhe

Os Banhados em Nós e Nós nos Banhados

O livro Os Banhados em Nós e Nós nos Banhados: Patrimônio Cultura, Material e Natural da Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos, Rio Grande do Sul, é fruto da dissertação de Mestrado em Diversidade Cultural e Inclusão Social de Débora Cristina da Silva. A obra apresenta ampla pesquisa sobre os usos dos banhados e sua relação com a comunidade. Para tanto utilizou duas questões orientadoras: Qual o espaço que o banhado tem na vida as pessoas que habitam a bacia hidrográfica do Rio dos Sinos? E, se existem fatores materiais, culturais e naturais capazes de contribuir para o processo de tombamento dos banhados da bacia Sinos? Pela crescente ocupação dos banhados a obra defende o tombamento deles como patrimônio, uma opção alternativa às leis de conservação ambiental e de gestão de recursos hídricos. Com os elementos descobertos na pesquisa, é coerente a recomendação de que o reconhecimento dos banhados como patrimônio material, cultural e natural da bacia hidrográfica do Rio dos Sinos desponta como uma estratégia viável de conservação “dos banhados em nós e de nós nos banhados”.

Loteamento Recanto da Paz em Campo Bom sofre com falta de tratamento de esgoto

Conviver com a falta de tratamento de esgoto tem levado os moradores do Loteamento Recanto da Paz, em Campo Bom, a impactarem nascentes e comprometerem sua qualidade de vida. São cerca de 100 moradias ocupadas por aproximadamente 500 pessoas neste loteamento existente há 16 anos. O principal impacto ambiental é causado pelos dejetos dos moradores e por entulhos das áreas próximas que são ocupadas por pessoas de fora do loteamento, inclusive por um criador de porcos, tudo bem próximo de uma nascente. Já houve notificação para saírem, mas permanecem impactando a área, que, inclusive, está localizada na borda da planície de inundação do Rio dos Sinos, no bairro Mônaco. No Recanto da Paz a prefeitura executou apenas as obras de escoamento do esgoto das casas da Rua Boa Vista, Rua da Paz, Rua da Bica e Rua da Lagoa, até quase a reserva ambiental localizada ao lado esquerdo do loteamento, onde o esgoto é despejado livremente. Nesta área, de preservação permanente, encontra-se uma nascente e suas águas já estão contaminadas. Conforme estudos da vigilância sanitária, realizados a pedido do presidente da Associação dos Moradores do Recanto da Paz, Ezequias dos Santos, a análise da água coletada na nascente e em mais dez pontos nos poços artesianos apontou alta presença de coliformes fecais e de bactéria Escherichia coli. Ali, todos cidadãos utilizam água de poço artesiano, ou seja, dependem daquela água que oferece risco de intoxicação. O loteamento não é regularizado ainda, embora toda documentação necessária já tenha sido encaminhada. Por conta disso a população não tem acesso à água tratada pela Corsan. Preocupado com a saúde da comunidade, Ezequias tem acompanhando, junto com a agente de saúde do município, os casos de doenças causadas por bactérias. “São alguns casos isolados, mas podem aumentar e se agravar com a água contaminada”. E é sabido que investir em saneamento básico é economizar em doença. Segundo a Fundação Nacional de Saúde (FUNASA), a cada R$ 1,00 (um real) investido em saneamento, economiza–se R$ 5,00 (cinco reais) em medicina curativa.  O motorista Adelar de Moura Oliveira, 48 anos, é um dos primeiros moradores do loteamento. Ele lembra das várias tentativas investidas no sentido de regularizar os lotes e de preservar a vertente. Ele mora com a esposa e filho na Rua Leão XIII, bem ao lado da área de preservação, e teme pela saúde da comunidade. “Já cansamos de ver as crianças e até adultos com diarreia e outras doenças. Não queremos que isso piore para a gente”, ressalta. Tratamento de esgoto por evapotranspiração A intenção da Associação de Moradores é implementar um projeto de fossa séptica tratada com árvores e plantas, igual ao utilizado pelo Centro de Educação Ambiental Ernest Sarlet (CEAES), de Lomba Grande/Novo Hamburgo. Modelo que Ezequias conheceu em saída a campo realizada durante a Capacitação Gestores Ambientais Comunitários, em setembro de 2015, promovida pelo Movimento Roessler para Defesa Ambiental. Desde outubro do ano passado ele busca alguma solução para preservar a nascente. A estação de tratamento de esgoto por evapotranspiração do CEAES, desenvolvida pelo engenheiro Fabio Fernandes, dá conta dos resíduos gerados por 5 mil pessoas (média/ano) que utilizam o local. Trata-se de um sistema fechado, sem infiltração no solo, onde plantas realizam o processo de filtração das águas servidas. A iniciativa melhora os índices de saneamento básico e a consequente preservação dos recursos hídricos do município. Dados do Comitesinos apontam que o maior problema de qualidade das águas do Rio dos Sinos e formadores é decorrente do inexpressivo volume de esgotos tratados, especialmente domésticos. Portanto, todas as iniciativas que tenham como objetivo a diminuição da carga orgânica lançada nos cursos d’água são louváveis, legítimas e desejáveis. Há que se considerar, no entanto, que é dos municípios a competência legal pela prestação de serviços de saneamento. Segundo o presidente do Comitesinos, Adolfo Klein, a população, quando disposta a implementar sistema de tratamento de esgotos tradicional ou alternativo, deve submeter o projeto à municipalidade, seguindo todos os tramites técnicos e legais necessários. “O percurso resguarda as comunidades de possíveis impactos indesejados e garante a conformidade do sistema de tratamento adotado”, salienta. O secretário de Meio Ambiente, José Alfredo Orth, afirma que o pedido para a implantação da estação de tratamento de esgoto foi recebido pela prefeitura, embora argumente que o projeto ainda necessita maiores análises sobre os resultados da água final. “Vamos visitar o modelo de Lomba Grande para conhecer melhor o projeto e vamos fazer o levantamento do custo desta obra”. O Movimento Roessler entende que o debate sobre o projeto deve avançar na busca de solução para esta situação que é importante para a comunidade local e para a despoluição do Sinos. “Deve haver uma avaliação detalhada da viabilidade da proposta por técnico especializado no tema a fim de garantir o correto dimensionamento da solução a ser implantada. Também salientamos que devam ser cumpridos todos procedimentos legais da questão para que se construa uma solução permanente para este e os demais problemas enfrentados pela comunidade”, ressalta Arno Kayser, presidente da entidade. Cátia Cylene