Câmara de Novo Hamburgo celebra os 45 anos do Movimento Roessler

Organização sem fins lucrativos fundada em Novo Hamburgo, o Movimento Roessler tem como objetivo conscientizar a população sobre a importância da conservação do planeta e da adoção de práticas sustentáveis. A instituição atua na realização de estudos sobre biodiversidade, elaboração de projetos para a proteção e recuperação do meio ambiente, organização de atividades educativas e fiscalização de crimes ambientais.Em seu pronunciamento, Felipe destacou a luta do grupo ao longo dos anos e lembrou Henrique Luiz Roessler, um dos precursores do ambientalismo no país. Falecido em 1963, foi seu nome o escolhido para batizar o coletivo. “Vemos como, lá atrás, ele já era tão atual. Recentemente, passamos por catástrofes ambientais tão difíceis no estado e percebemos que muita coisa tem que mudar. Muito disso se dará através de conscientização. E o Movimento Roessler tem essa prática a partir de seu conhecimento, conteúdo e das muitas ações que vocês levam adiante”, discursou. O proponente também externou em sua fala a preocupação com as altas temperaturas que vêm sendo registradas no Brasil e no resto do mundo. “São sinais da dificuldade que o ser humano tem em cuidar da natureza e entendê-la como seu maior patrimônio”, prosseguiu. Presidente da entidade homenageada, Luana Rosa corroborou a manifestação de Felipe Kuhn Braun e destacou a importância da abnegação de ambientalistas em prol de um planeta ecologicamente sustentável. “É uma grande alegria representar colegas tão queridos, apesar de tantas tristezas pelas quais passamos em 45 anos. Eu não era nem nascida e essa gente já batalhava para que não apenas a minha, mas também as futuras gerações pudessem viver em plenitude. Vivemos uma crise climática – e isso já é uma evidência, não mais uma hipótese –, o que mostra por que esses ‘ecochatos’ fazem todo esse trabalho. Há 45 anos, o Movimento Roessler vem remando contra a maré. São 45 anos travando lutas em defesa do meio ambiente. E precisamos continuar remando contra a maré para chegarmos até as nascentes”, frisou Luana. Presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara, Enio Brizola (PT) criticou a forma como são conduzidas discussões importantes sobre desenvolvimento econômico sem o devido olhar para as necessidades ambientais. “O Roessler é um dos mais importantes movimentos que temos na nossa cidade. Hoje, precisaríamos ter muitos deles, porque vivemos uma crise ambiental sem precedentes. E digo isso não apenas pelos eventos climáticos. Estamos debatendo nesta Casa o Plano Diretor e estamos ignorando completamente as questões ambientais da cidade. O foco do debate é índice construtivo. O relógio do mundo está andando, mas ainda estamos em tempo de recuperação. Deveríamos parar para replantar e repensar o planeta. Focar em um desenvolvimento econômico sustentável”, enfatizou. Raizer Ferreira (PSDB) resgatou detalhes sobre a gênese do Movimento Roessler e parabenizou o empenho e a entrega de tantos personagens ao longo de sua história. “São 45 anos de luta e dedicação. Ao longo desse período, a entidade tem desempenhado um papel fundamental em defesa do meio ambiente na nossa cidade e região. Uma voz ativa em nossa comunidade, lutando incansavelmente pela qualidade de vida de todos nós. Quero expressar minha profunda gratidão a todos os membros, passados e presentes. O compromisso dessas pessoas com a causa ambiental é um exemplo inspirador para todos nós”, finalizou o vereador. Foto: Tatiane Lopes/CMNH Foto: Tatiane Lopes/CMNH Fonte: Câmara de Novo Hamburgo PróximoSenado aprova PL do Veneno com apenas um voto contrárioNext
45 anos resumidos numa estampa

45 anos resumidos numa estampa Há tantos anos eu crio as artes para muitas das nossas camisetas e isso me deixa honrada pela confiança que o grupo deposita em mim e também porque durante longos anos convivo com pessoas maravilhosas, dividindo e somando na amizade, cumplicidade, amorosidade, confiança, sintonia e trabalho pelas causas de grande valor à vida!!! Neste ano trabalhei com o conceito: “A relação entre as árvores pode ser entendida pelo seu nome científico. Por exemplo, a pitangueira, gênero Eugenia, espécie uniflora. Ela ocorre em boa parte do país e pode ser reconhecida apenas pelo seu nome popular e sempre será uma pitangueira. Ao reconhecermos um indivíduo, estamos reconhecendo todos da mesma espécie, que podem viver perto ou bem longe um do outro. A ciência dá os nomes e as pessoas sentem orgulho em saber. Sendo assim, de certa forma, quando nos deparamos com um indivíduo e ficamos interessados em reconhecer, é uma conexão que se estabelece, remete às memórias, nos sentimos acompanhados. Esse reconhecer equivale a um abraço. Bate uma alegria, amorosidade e vem uma sensação de que a planta sente o mesmo e isso volta pra nós. Uma conexão natural, ancestral”. Considerações do nosso amigo e companheiro de jornada, Julian Mauhs, biólogo, a partir da teoria de Lineu, sobre Taxonomia binomial, que se refere ao gênero e epíteto específico de toda e qualquer espécie. A inspiração – A partir desse conceito e com a licença poética, sinto que as plantas se conectam entre si, mesmo com suas diferenças científicas, e mais, se tratando das que convivem num mesmo espaço, se reconhecem, podem ser amigas ou até ter incompatibilidades. E assim como se conectam entre si, nós, ao nos interagirmos com uma, é como se estivéssemos abraçando todas! Portanto, quando sentimos e transmitimos amor a um ser, seja planta, animal, pessoa, é como se estivéssemos abraçando e amando todas e todos. O que pra mim, são os momentos de sentir o amor universal. A partir de tudo isso surgiu a inspiração pra esse trabalho, que tem folhas e vestígios de várias espécies, formando apenas uma árvore. Uma forma harmoniosa de convívio e aceitação das diferenças. E a menina no balanço somos nós…. Sobre a técnica – Colagem e desenho sobre papel. Vestígios da corticeira e da açaí juçara. Folhas de abacateiro, mangueira, jaqueira, amexeira, jabuticabeira, jambeiro, guabirobeira, pitangueira, caramboleira, espatódea, figueira e manacá da serra. Menos a corticeira, todas as folhas e vestígios são do mesmo espaço, no caso, a nossa casa – minha e do Cláudio. Silvana Santos Ilustradora Quem desejar adquirir a sua camiseta, ao valor de R$ 80,00, pode entrar em contato com a Silvana @silvanailustradora e fazer o pix para movimento.roessler@movimentoroessler.org.br NOS ACOMPANHENAS REDES SOCIAIS Facebook Instagram Youtube ÚLTIMAS NOTÍCIAS Movimento Roessler aciona MP sobre o arboricídio no Parcão Read More 45 anos resumidos numa estampa Read More Direitos da Natureza Read More Comitesinos institui GT para definir mecanismo e preço pelo uso da água Read More PrevAnteriorMudanças Climáticas: por que você não sabe de nada? PróximoDireitos da NaturezaNext Compartilhe
Documentário “Além da Janela” irá contar a história da conquista do Parcão de Novo Hamburgo

Documentário “Além da Janela” irá contar a história da conquista do Parcão de Novo Hamburgo O Parque Henrique Luis Roessler, o Parcão, recebe diariamente dezenas de pessoas que vão desfrutar de sua natureza exuberante e acolhedora paisagem ao longo dos seus 54 hectares, no bairro Hamburgo Velho, em Novo Hamburgo. O que nem todas sabem é que o espaço é fruto de uma das maiores mobilizações populares que a cidade e a região tiveram durante as décadas 80 e 90. Para contar os bastidores desta conquista está em produção o documentário “Além da Janela”. A iniciativa é da jornalista Jane Schmitt, que junto com a arquiteta Jussara Kley e o advogado Newton Alano, coordenam o projeto executado pela Ouié Produções, com direção de Gênesis Araújo. Há mais de um ano eles trabalham neste resgate da história hamburguense. Uma potente semeadura sobre a importância do verde na vida de todos nós. O filme vai contar a história do Parque Henrique Luis Roessler – cujo nome homenageia o patrono da Ecologia no Brasil. Nos anos 80 um grupo de pessoas se reuniu para lutar pela preservação daquele local, onde a expansão imobiliária estava em rápido crescimento. “Essas pessoas inspiraram e movimentaram toda uma comunidade para que esse parque não virasse um condomínio residencial, e com toda a movimentação conseguiram tornar o parque um espaço de preservação que vive e traz vida para toda cidade até hoje”, comentam os produtores. Essa luta nos anos 80 gerou benefícios incalculáveis para a saúde e bem estar de Novo Hamburgo, sendo referência em toda a região para a prática de caminhadas, exercícios físicos, esportes e piqueniques. “Queremos semear a esperança e incentivar as crianças e os jovens a perseguirem seus sonhos e agirem em prol do meio ambiente e da vida”, comenta Jane. O roteiro conta com valiosos depoimentos de pessoas envolvidas à época, como Angela Sperb, Cláudio Spindler, Arno Kayser, entre outros. “Mas jamais deverão ser esquecidos aqueles que já não estão mais entre nós, como o artista Frederico Scheffel e o economista Luiz Jacintho, que tiveram grande contribuição na conquista do Parcão”, lembra Jane. A produção está com quase 80% dos depoimentos gravados e terá, no máximo, 45 minutos de duração. Segundo Jane, a intenção é usar a arte, valorizando a diversidade de artistas que se empenharam nas lutas e manifestações pelo Parcão, numa concepção leve, com uma visão mais ampla sobre áreas urbanas preservadas. “Queremos que as pessoas se motivem a ações concretas.” Conforme os produtores, a busca pela preservação desses espaços nas grandes cidades era o objetivo inicial do filme, por isso buscam conscientizar as pessoas a, primeiramente, manter esses espaços preservados e intactos para as próximas gerações e, consequentemente inspirar a lutarem pelas coisas que trazem melhorias à vida e saúde da comunidade. A motivação é para que percebam a importância sobre as questões ambientais para os rumos do planeta. “Precisamos dessa consciência com urgência”. Por isso, resolveram contar a história dessa conquista através de um documentário, para espalhar essa semente na mente e no coração das pessoas, e mostrar aos que se importam com essas causas, que eles não estão sós, é só olhar “Além da Janela”. Desde o nome, a produção é provocativa para que as pessoas pensem para além das janelas de suas casas, das janelas de seus computadores, de suas individualidades. “O mundo está cheio de ações individuais, mas precisa de ações coletivas. Fora da lógica do ter. E é isso que quebra a lógica capitalista: estar num parque público, gratuito”, destaca Jane. Em artigo, o ambientalista Arno Kayser, integrante do Movimento Roessler para Defesa Ambiental, entidade que desempenhou importante papel na campanha Parcão Já, ressalta que tal conquista “é um marco na vida de Novo Hamburgo. Na opinião de muitos ecologistas um fato tão marcante como a chegada dos alemães em 1824, a vinda do trem na vida do século XX ou a criação da Fenac, nos anos 1960.” O andamento da produção pode ser conferida no site www.alemdajanela.com.br. No momento, a produtora aguarda confirmação do patrocínio da Prefeitura de Novo Hamburgo para seguir a edição e finalização do documentário que será um legado do município para trabalhar educação ambiental. Cátia Cylene, jornalista NOS ACOMPANHENAS REDES SOCIAIS Facebook Instagram Youtube ÚLTIMAS NOTÍCIAS Documentário “Além da Janela” irá contar a história da conquista do Parcão de Novo Hamburgo Read More Movimento Roessler aciona MP sobre o arboricídio no Parcão Read More 45 anos resumidos numa estampa Read More Direitos da Natureza Read More PrevAnteriorComitesinos institui GT para definir mecanismo e preço pelo uso da água Próximo45 anos resumidos numa estampaNext Compartilhe
O Rio dos Sinos e o Comitesinos

O Rio dos Sinos é um curso d´água extraordinário. Um ente mágico. Por um lado ele é uma fonte de vida pra todos os seres vivos que habitam o seu vale. Literalmente ele corre nas veias de quem bebe suas águas. As mesmas que movimentam diversas atividades econômicas no campo e na cidade. Se por um lado ele é forte, por outro ele é bem frágil na medida em que sofre com todos os impactos da atividade humana que afetam a disponibilidade de água no seu leito e a qualidade destas águas. O que o coloca num estado de permanente atenção para que continue um rio vivo capaz de manter seu aspecto sócio cultural mais importante que é o de ser o fator de identidade de todos que vivem as suas margens e formadores. A origem do rio remota há cerca de 130 milhões de anos quando o antigo continente de Gondwana começou a se separar dando origem ao oceano Atlântico. Fenômeno que segue até nossos dias com o afastamento da África e da América do Sul. As forças tectônicas que moveram esse processo geraram grandes derrames de lava. Essa se espalhou por cima do grande deserto que havia no centro do antigo continente. Ao esfriar essa lava se fracionou em inúmeras linhas de fratura que marcaram o caminho para as intempéries, ao longo ao milhões de anos, fossem esculpindo o território do Vale do Sinos, entre outros. Após o último período glacial, há alguns milhares de anos atrás, a vegetação tropical desceu pelo litoral e pelos vales da bacia cisplatina e veio se misturar nas partes baixas do Vale do Sinos formando a mata atlântica que ainda hoje cobre áreas na região. Essa paisagem foi ocupada por povos originários que denominavam o rio de Cururuaí e Itapuí. O primeiro nome significando rio dos ratões do banhado. Um testemunho da quantidade de animais que habitavam os grandes banhados ao longo das partes baixas do vale. Dizem que esses animais gritam à noite de suas tocas nas margens. O que explica o nome Itapuí – rio das pedras que gritam. Esses povos originários começaram a modificar a paisagem. Mas devido à pouca densidade populacional e poder tecnológico foram danos pequenos. A transformação da paisagem começou no século 18 quando os ocupantes açorianos acompanhados de escravos africanos começaram a criar gado na região. Logo o Império Português implantou a Feitoria do Linho Cânhamo em São Leopoldo. Projeto que não durou muito, mas que foi determinante para que o local, já no século 19, fosse escolhido como destino da colonização alemã no sul do Brasil. Essa migração passou a ocupar todo o vale transformando-o numa paisagem agrícola e deslocando a maior parte da população anterior e mudando o uso do solo. O que começa a afetar mais o rio. Já no século 20, se implanta a indústria do couro que trouxe um novo elemento de degradação à paisagem e as águas do Sinos. Este fenômeno gerou a primeira reação cidadã em defesa do rio liderada por Henrique Luiz Roessler. Pioneiro da defesa da natureza organizou um grupo de militantes da causa que atuou até os anos 60 e se esvaiu com a morte do líder. Mas que deixou uma massa crítica de cidadania que mais tarde se somaria a nova geração de ecologistas do vale. Essa geração surgiu quando, nos anos 70 e 80, houve um aumento da industrialização de calçados voltados para a exportação que incrementou a poluição e atraiu milhares de pessoas de outros pontos do RS para a região. O resultado foi uma urbanização sem controle que trouxe outros fatores de degradação como o lixo e esgoto cloacal. Em 1985, numa palestra no centro de cultura de Novo Hamburgo, técnicos do Departamento do Meio Ambiente (DMA) declararam que os estudos de qualidade do rio apontavam que, se nada fosse feito, até 1990, o rio poderia estar morto. Metade pela poluição das cidades, metade pela poluição da indústria. Essa denúncia mobilizou o Movimento Roessler e a Upan a desencadear um trabalho em prol do rio. Com a ajuda de um financiamento da Igreja Católica alemã, obtido com a intervenção do bispo Dom Sinésio, se iniciou o chamado Programa de Setes Pontos em prol do Rio. O primeiro passo foi contra os curtumes, que na época não tratavam seus dejetos. Foi feito uma grande campanha chamada Rio que te quero limpo, com adesivos em defesa do rio criada pelo artista Rogério Rauber. Como a indústria não queria fazer nada, os ecologistas realizaram um grande ato público com o apoio do grupo Valão. Um coletivo de artistas que atuava na região. Foi feita a pintura do quadro do rio no muro da sede da igreja luterana junto ao calçadão de Novo Hamburgo. O ato gerou grande polêmica na imprensa local com jornalistas se dividindo entre apoiadores e contrários ao desenho exposto no local. O debate também mexeu com vários setores se manifestando no Jornal NH em prol do rio. Isso fez o Grupo Editorial Sinos lançar outra campanha chamada “SOS Rio dos Sinos”, apoiado pela indústria tentando capturar a liderança do tema. Mas a mobilização cidadã já era tão grande que o DMA acabou interditando alguns curtumes depois do fracasso de rodadas de conversa entre os ecologistas e curtumeiros em Porto Alegre. Isso fez com que tecnologia de tratamento industrial começasse a ser introduzida na região e amenizasse a poluição das indústrias. Mas os ecologistas queriam mais e seguiram no enfrentamento dos impactos do lixo e do esgoto no rio e propuseram que fosse criado um órgão para cuidar do rio. Essa ideia encontrou eco em dois setores. O primeiro foi o dos pesquisadores da Unisinos, liderados pelo professor Henrique Fensterseifer, que já trabalhavam em pesquisas sobre a natureza do rio. O segundo foi um grupo de técnicos do Estado, liderados pelo engenheiro Antônio Grassi, da Corsan e pelo economista Eugênio Canepa, da Cientec. Eles estudavam modelos de gestão das águas mundo afora. O grupo da Unisinos organizou um seminário que ocorreu
Ações do Movimento Roessler em 45 anos

Praça da Bandeira Em 1982 militantes do Movimento Roessler realizaram um manifesto na Praça da Bandeira para evitar que ela fosse transformada num estacionamento. Graças a isso ela é hoje uma bela área verde num dos pontos mais pitorescos da cidade. Intervenção cultural Era o ano de 1986. A sensibilização e mobilização dos artistas da cidade motivou a pintura de mural no Calçadão de Novo Hamburgo chamando atenção para a importância do nosso Rio dos Sinos. Com a parceria do Grupo Valão foi feito um grande ato de denúncia da situação do Rio dos Sinos para pressionar o Estado e a região a forçar as indústriais a tratar seus efluentes, as prefeituras tratarem lixo e esgoto cloacal e se criar um órgão para cuidar do Rio. Fomos vitoriosos pois a partir daí se deram os passos para a criação do Comitesinos e o início de ações em prol do Rio. Efetivação do Parcão Em 1987 o Movimento Roessler lançou a campanha “Parcão Já”. O objetivo foi popularizar a bandeira de criação de uma parque na última grande área verde da zona urbana da cidade. Depois de alguns anos de lutas o Parque foi comprado e hoje é o Parque Henrique Luiz Roessler. Coleta seletiva e Central de Reciclagem do Roselândia Em 1989 apoiamos a iniciativa de implantar uma central de reciclagem de lixo no bairro Roselândia. Com isso se daria fim ao depósito de lixo nos banhados do Rio dos Sinos. O projeto foi idealizado pelo grande mestre da Ecologia José Lutzenberger. Junto foi criada uma campanha pela separação do lixo em casa. A denominação ‘lixo’ foi posteriormente substituída por resíduos sólidos. Fundo Nacional do Meio Ambiente De 1994 a 1996 o Movimento Roessler representou os três estados do Sul no Fundo Nacional do Meio Ambiente ajudando a definir recursos para muitas iniciativas ambientais no país. Fim da Picada A partir de 1997 o Movimento Roessler começou a organizar caminhadas mensais, no último sábado de cada mês entre março e novembro. Elas visavam conhecer a região e oportunizar momentos de contato e convívio entre as pessoas ligadas a entidade. Com a pandemia a atividade foi suspensa. Mas centenas de quilômetros foram percorridos por grupos de 10 a 30 pessoas em média. Vitória da escadaria da Gomes Portinho 1998 – Após mobilização do Movimento Roessler e dos moradores, obtivemos uma conquista que resultou na determinação judicial para que a Prefeitura de Novo Hamburgo restaurasse a escadaria da Rua Gomes Portinho. Além disso, o local foi declarado Patrimônio Cultural e Paisagístico da cidade. Encontro Estadual de Entidades Ecológicas (EEEE) Organizamos, em 1999, o XX Encontro Estadual de Entidades Ecológicas (EEEE), no Monte Tabor, em Dois Irmãos. O EEEE contou com ambientalistas de todo o Estado para debater o tema “A Juventude e o Movimento Ecológico”, além de shows culturais e místicas. Romaria das Águas Em 2001 realizamos ampla mobilização popular para a Romaria das Águas. Foram diversas visitas à comunidade Colônia Fraga, em Caraá, para articular a população em torno da defesa do Rio dos Sinos. Eles se envolveram e participaram das etapas municipal e estadual. Acostumados com a alta qualidade das águas em sua localidade, eles nem imaginavam a situação do rio aqui no vale e ficaram chocados ao conhecer o rio em São Leopoldo, a caminho da culminância da Romaria em Porto Alegre, no Guaíba. Uma atividade executada junto ao Programa Pró Guaíba e que contou com parceria da TV Unisinos na produção de um vídeo. Conspiração Capra em POA No Fórum Social Mundial de 2003 realizamos uma conferência com o físico austríaco Fritjof Capra – autor dos livros O Tao da Física, Ponto de Mutação e A Teia da Vida e um dos mais renomados representantes do pensamento ecológico e sistêmico da atualidade. No Auditório Araújo Viana lotado, ele falou sobre o tema “Ciência para uma Vida Sustentável” e os debatedores foram o teólogo Leonardo Boff e o físico budista Lama Padma Santem. Iniciativa promovida e organizada pelo Movimento Roessler junto com Apedema/RS, Núcleo de Ecojornalistas, Agapan, Coolmeia, Fundação Gaia, Programa de Pós-graduação em Administração da UFRGS e Pró-Reitoria de Extensão da PUCRS, com apoio da Petrobras e Prefeitura de Porto Alegre. Campanha “Por um Brasil livre de transgênicos” Em 2003 realizamos diversas ações de mobilização para informar a população sobre os perigos dos alimentos modificados geneticamente. Dentre elas, pedágio na frente do shopping de Novo Hamburgo e a produção do curta metragem “Ponto de Interrogação”, mesclando ficção e realidade para contribuir na reflexão sobre os transgênicos. Manifesto pelo Rio Vivo 2007 – Somos mais de 1 milhão de pessoas e, como cidadãos diretamente afetados em nossa saúde pelo descaso das autoridades, manifestamos nossa indignação com a situação do Rio dos Sinos “Queremos nosso rio vivo e não transformado em uma vala de esgoto”. Segundo o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), as águas dos rios são classificadas em 5 categorias, de 0 a 4, estando o Rio dos Sinos, em seu trecho inferior na pior delas: Classe 4. Manifesto assinado pelo Movimento Roessler, UPAN, CALBIO Unisinos, DAGAMBI Unisinos e DCE Unisinos. Menos plástico, mais óleo reutilizado Em 2007 o Movimento já mobilizava em prol da substituição das sacolas plásticas e pela reutilização do óleo de cozinha. Campanhas importantes na construção de novas culturas na defesa do meio ambiente. Produzimos mais de 2 mil sacolas de pano e incentivamos seu uso. Também divulgamos que a decomposição do óleo sem oxigênio emite metano na atmosfera, principal gás causador do efeito estufa, alertando para o descarte adequado. Recebemos muitos litros de óleo e promovemos sua coleta em diversos pontos da cidade. Levantamento das árvores de NH Em 2009 o Movimento Roessler desenvolveu projeto de catalogação das árvores de Novo Hamburgo. A arborização faz parte do conforto das pessoas que habitam cada território. Foram catalogadas quase 2.800 árvores no trecho que liga Hamburgo Velho ao Centro. Os resultados apontam que o Ipê é a espécie encontrada com maior frequência. Tragédias no Rio dos Sinos Em novembro de 2010 o Rio dos
Mina Guaíba ainda pode representar uma ameaça para a população

Mina Guaíba ainda pode representar uma ameaça para a população Mesmo com a conquista do arquivamento do processo de licenciamento da Mina Guaíba, obtido graças a mobilização da sociedade civil em torno dos evidentes danos socioambientais causados, infelizmente permanece a ameaça deste projeto que representa o lado mais nocivo do capitalismo. Isso ocorre porque o próprio Governo do Estado, que deveria fiscalizar de modo rigoroso intervenções como essa, por meio da Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luis Roessler (Fepam), atua para reverter esse processo. O projeto original da mina previa a ocupação de uma área de em torno de 5 mil hectares – o equivalente a 5 mil campos de futebol – entre os municípios de Eldorado do Sul e Charqueadas (cerca de 16km de Porto Alegre). Após uma luta incessante de moradoras e moradores da região, ambientalistas, pesquisadoras e pesquisadores, comunidades indígenas e movimentos sociais, a proposta foi arquivada pela Fepam no mês passado. Entretanto, diante das últimas informações, é importante permanecer de olhos abertos. Em recente entrevista ao Jornal do Comércio, a então presidente da Fepam, Marjorie Kauffmann, agora atual Secretária Estadual de Meio Ambiente e Infraestrutura, afirmou claramente que a empresa responsável, a Copelmi, pode solicitar o desarquivamento do processo. O que chama a atenção é que Marjorie ressaltou que isso seria possível se forem encaminhados novamente os Estudos de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) para a liberação da área. Ou seja, bastaria à empresa encaminhar um novo estudo para a Fepam, para que a mina tivesse a possibilidade de entrar em operação. O que não foi comentado por Marjorie na ocasião é que um novo EIA/RIMA não mudaria o que já está posto: os irreparáveis prejuízos ao meio ambiente e às comunidades situadas na região. Isso porque são pelo menos 160 lacunas não respondidas pelo EIA/RIMA que embargou o projeto. Assim, a não ser que os parâmetros de análise sejam modificados para favorecer a empresa, não existe possibilidade de invalidar os dados técnicos que mostram a evidente deterioração do meio ambiente gerada com a instalação da mina. Luana Rosa, bióloga e Marcelo Passarella, jornalista NOS ACOMPANHENAS REDES SOCIAIS Facebook Instagram Youtube ÚLTIMAS NOTÍCIAS Mina Guaíba ainda pode representar uma ameaça para a população Read More Movimento Roessler aciona MP sobre o arboricídio no Parcão Read More 45 anos resumidos numa estampa Read More Direitos da Natureza Read More PrevAnteriorComitesinos institui GT para definir mecanismo e preço pelo uso da água Próximo45 anos resumidos numa estampaNext Compartilhe
Carijada na Lomba Grande revive ritual indígena para produzir erva-mate

Depois de 17 horas de secagem a erva-mate já estava sendo degustada ali mesmo, na fonte, direto do carijo. A lenha atribui um sabor peculiar, a erva fica um pouco defumada, mais sapecada pelo processo artesanal e isso é bem marcante, principalmente para aqueles que vivenciam o processo todo. O ritual consiste em construir o carijo, fazer a poda, o fogo, o sapeco, a ronda durante toda a madrugada de secagem da planta, o cancheamento – ou fragmentação dos galhos, o soque – ou moagem e, por fim, a degustação do mate. Cerca de 50 pessoas oriundas de São Leopoldo, Novo Hamburgo, Campo Bom, Sapiranga, Rolante, Antônio Prado, Muitos Capões, Panambi e da capital gaúcha participaram da carijada na Lomba Grande durante o final de semana. Dentre elas, estudantes de agronomia da UFRGS e produtores agroecológicos e agroflorestais motivados em conhecer a prática do carijo. A vivência coletiva e acampamento ocorreram no Quilombo, no organismo agrícola do Erno Bühler, na zona rural de Novo Hamburgo, bairro Lomba Grande. Sábado teve atividades de reconhecimento da planta e aprendizagem sobre todo o processo. Noite de cuidado com o fogo e a erva que ficou secando na estrutura do carijo. Durante a ronda noturna teve uma roda cultural com apresentação do músico Zé Martins, do grupo Unamérica. No domingo os participantes carregaram o carijo com a erva até o outro lado do campo de futebol onde estava a máquina de soque. “Foi uma aventura. Nunca tinha visto um carijo itinerante”, comentou Gustavo Türck, integrante do Coletivo Catarse – responsável pelo projeto Carijo que culminou com a produção do “Carijo, o filme”, além de livro, cartilha e diversos eventos para a multiplicação destas culturas indígenas mbyá-guarani e kaingang. O biólogo Moisés da Luz, que veio de Panambi para repassar seus saberes na arte do carijo, vem fazendo retomadas desta cultura indígena desde 2005 e formando multiplicadores no processo de fabricação artesanal de erva-mate (Ilex paraguariensis). Para sua dissertação de mestrado “Carijos e Barbaquás no Rio Grande do Sul: resistência camponesa e conservação ambiental no âmbito da fabricação artesanal de erva-mate”, pesquisou24 experiências no RS de carijos, barbacuás e assemelhados. “A retomada dos carijos proporciona a autonomia de produzir a própria erva para o chimarrão, com sabor original e novos e ancestrais sentidos em nossa vida”, comenta. “A vivência em si acaba sendo uma mística, as pessoas dormem no local, a tradição é iniciar a secagem no final da tarde, momento de celebração, adentrar a noite madrugada adentro, com outras sensações e percepções, observar a lua e as estrelas. Outra potência que o carijo possibilita é este contato com o fogo, a fumaça e a comunhão em torno da bebida,” salienta o mestre. “Essa experiência que tivemos juntos foi mágica, foi revigorante, muito especial. Quando sai do acampamento, me senti um alienígena em nosso próprio planeta, senti que meu mundo era outro”, disse o produtor Fábio Junges. A carijada no Vale do Sinos foi promovida pelo Araçá – Grupo de Consumo Responsável, com parceria de Agrofloresta Garupá, Produtos Biocêntricos e Circular Alimentos e apoio do Coletivo Catarse, do organismo agrícola da Família Bühler e do Banco de Tempo Lomba Grande. A erva-mate processada neste carijo foi colhida na sexta-feira por três produtores. Susi Grings em Dois Irmãos; Mozar Dietrisch em Santa Maria do Herval e Fábio Dias em Sapiranga. A origem do chimarrão A erva-mate é uma árvore que habita o Brasil, Argentina, e Paraguai. O seu habitat nativo são as florestas, tais como a Floresta com Araucária (que contém o pinheiro-brasileiro) e a Floresta Estacional, que acompanha os rios Paraguai, Paraná, Uruguai e seus afluentes. A origem do uso da erva-mate se deve aos povos indígenas dessa região, entre eles os Guarani e os Kaingang. A palavra mate tem origem quéchua, a qual os espanhóis pegaram emprestado para denominar o recipiente (cuia), o conjunto do chimarrão ou a própria bebida. Já o termo chimarrão provém do termo espanhol cimarón, que quer dizer selvagem, amargo, sem dono, bravo. Cátia CyleneJornalista
Líder da produção de arroz orgânico da América Latina,MST comemora 19ª Festa da Colheita do Arroz Agroecológico

Líder da produção de arroz orgânico da América Latina, MST comemora 19ª Festa da Colheita do Arroz Agroecológico Famílias assentadas do Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra (MST) comemoram nesta sexta-feira (18), a 19ª Festa da Colheita do Arroz Agroecológico. Em todo o Rio Grande do Sul, a produção do alimento é feita por 296 famílias, em 14 assentamentos, que se dividem em 11 municípios gaúchos. A estimativa é que sejam colhidas mais de 15 mil toneladas de arroz. O evento ocorre na sede da Cooperativa de Produção Agropecuária Nova Santa Rita (Coopan), em Nova Santa Rita, na região Metropolitana de Porto Alegre. A comemoração conta com Feira da Reforma Agrária, com representação de cooperativas do MST de outros estados; apresentação cultural do Grupo Unamérica e participação de entidades parceiras, populares, sindicais e políticas. De acordo com Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), o MST é considerado o maior produtor de arroz orgânico da América Latina e segue nessa posição há mais de 10 anos. Segundo Martielo Webery, do setor de comercialização da Cootap, as famílias camponesas estimam colher, na safra 2021/2022, mais de 15 mil toneladas, cerca de 310 mil sacas de 50 kg do produto, em aproximadamente 3.196,23 hectares. “Para nós do MST, essa edição da Colheita do Arroz Agroecológico tem uma enorme importância. Queremos celebrar esse momento com a sociedade gaúcha e brasileira, pois essa é uma construção coletiva das cooperativas e das famílias assentadas. A nossa produção orgânica é uma alternativa, onde a vida das pessoas e o cuidado com a natureza estão acima do lucro”, pontua Marildo Mulinari, do setor social organizativo da Cooperativa dos Trabalhadores Assentados da Região de Porto Alegre (Cootap). A reconhecida produção gaúcha do arroz agroecológico do MST é coordenada por nove cooperativas conquistadas por meio da luta do movimento pela Reforma Agrária Popular e produção de alimentos saudáveis, livres de veneno. O cultivo principal é de arroz orgânico nas variedades agulhinha e cateto. Em todo o estado, a produção do alimento é feita por 296 famílias, em 14 assentamentos, que se dividem em 11 municípios gaúchos das regiões Metropolitana, Sul, Centro Sul e Fronteira Oeste. Campesinos realizam ato simbólico de colheita de arroz NOS ACOMPANHENAS REDES SOCIAIS Facebook Instagram Youtube ÚLTIMAS NOTÍCIAS Líder da produção de arroz orgânico da América Latina,MST comemora 19ª Festa da Colheita do Arroz Agroecológico Read More Movimento Roessler aciona MP sobre o arboricídio no Parcão Read More 45 anos resumidos numa estampa Read More Direitos da Natureza Read More PrevAnteriorComitesinos institui GT para definir mecanismo e preço pelo uso da água Próximo45 anos resumidos numa estampaNext Compartilhe
Comitesinos dá seguimento ao VerdeSinos etapa 4

Comitesinos dá seguimento ao VerdeSinos etapa 4 O Comitesinos está em processo de renovação do plenário. Após atender às resoluções 230/237 do Conselho de Recursos Hídricos do Estado, que regulamentam a descrição e a distribuição de vagas na composição dos comitês de gerenciamento de bacia gaúchos, o Comitesinos dá sequência ao seu processo de renovação de entidades-membro e diretoria para o biênio 2022-2024. Mensalmente os parceiros do Projeto VerdeSinos se reúnem para discussão, planejamento, troca, qualificação, capacitação dos técnicos e para manutenção das atividades em rede — o grande diferencial dessa iniciativa permanente que já dura mais de 15 anos e que trouxe resultados concretos para a sustentabilidade econômica, social e ambiental da bacia hidrográfica do Rio dos Sinos, sempre com foco na água.’ Na foto, nova placa de identificação do Verdesinos instalada numa das Unidades de Referência integrante da 4ª etapa do projeto – Centro de Educação Ambiental Ernest Sarlet, de Novo Hamburgo. NOS ACOMPANHENAS REDES SOCIAIS Facebook Instagram Youtube ÚLTIMAS NOTÍCIAS Comitesinos dá seguimento ao VerdeSinos etapa 4 Read More Movimento Roessler aciona MP sobre o arboricídio no Parcão Read More 45 anos resumidos numa estampa Read More Direitos da Natureza Read More PrevAnteriorComitesinos institui GT para definir mecanismo e preço pelo uso da água Próximo45 anos resumidos numa estampaNext Compartilhe
Os Banhados em Nós e Nós nos Banhados

O livro Os Banhados em Nós e Nós nos Banhados: Patrimônio Cultura, Material e Natural da Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos, Rio Grande do Sul, é fruto da dissertação de Mestrado em Diversidade Cultural e Inclusão Social de Débora Cristina da Silva. A obra apresenta ampla pesquisa sobre os usos dos banhados e sua relação com a comunidade. Para tanto utilizou duas questões orientadoras: Qual o espaço que o banhado tem na vida as pessoas que habitam a bacia hidrográfica do Rio dos Sinos? E, se existem fatores materiais, culturais e naturais capazes de contribuir para o processo de tombamento dos banhados da bacia Sinos? Pela crescente ocupação dos banhados a obra defende o tombamento deles como patrimônio, uma opção alternativa às leis de conservação ambiental e de gestão de recursos hídricos. Com os elementos descobertos na pesquisa, é coerente a recomendação de que o reconhecimento dos banhados como patrimônio material, cultural e natural da bacia hidrográfica do Rio dos Sinos desponta como uma estratégia viável de conservação “dos banhados em nós e de nós nos banhados”.